Dois cargos concentram 13 das 20 vagas

O edital abre nove cargos e especialidades, mas a distribuição é desigual. O Técnico da Defensoria – Sem Especialidade sozinho responde por 9 das 20 vagas, e o Analista da Defensoria – Assistente Jurídico, por mais 4. Juntos, somam 13. Os outros sete cargos de Analista — Auditor Interno, Desenvolvimento de Sistemas, Psicólogo, Assistente Social, Suporte e Infraestrutura de Redes, Segurança da Informação e Sem Especialidade — têm uma vaga cada.

A diferença pesa na escolha. Nos cargos de vaga única, a aprovação só serve se vier em primeiro lugar na lista a que o candidato concorre; nos dois maiores, há margem de classificação e um cadastro de reserva atrás. A escolaridade também separa os grupos: o Técnico pede ensino médio completo, enquanto todos os cargos de Analista exigem graduação — Direito, no caso do Assistente Jurídico.

Como é a prova

A prova objetiva tem 60 questões para todos os cargos, divididas em dois blocos com pesos diferentes: 20 questões de Conhecimentos Gerais, de peso 1, e 40 de Conhecimentos Específicos, de peso 2. Na prática, os Conhecimentos Específicos valem o dobro por questão e quatro vezes mais que os Gerais no conjunto da nota, o que concentra o esforço de estudo na parte técnica do cargo.

Os cargos de nível superior têm ainda prova discursiva, aplicada no mesmo dia. A correção da discursiva não alcança todos os inscritos: o edital limita quantas provas são corrigidas por cargo, pela ordem de classificação na objetiva — no Assistente Jurídico, as 100 primeiras da ampla concorrência, mais as listas de reserva. Quem é aprovado na objetiva e fica fora desse limite é excluído do concurso sem ter a discursiva lida.

Quatro meses entre a inscrição e a prova

As inscrições abriram em 28 de setembro e seguem até 13 de novembro de 2026, pelo site da Fundação Carlos Chagas. A taxa é de R$ 103,00 para o cargo de nível médio e R$ 123,00 para os de nível superior.

A prova, porém, só é aplicada em 28 de fevereiro de 2027 — cerca de quatro meses depois do fim das inscrições e cinco da publicação do edital. É uma janela de preparação longa para o padrão dos concursos estaduais, e ela muda o planejamento: há tempo para cobrir o conteúdo específico inteiro antes de partir para revisão e simulados, em vez da corrida de quem pega o edital com seis semanas de antecedência. A aplicação é dividida por turno — manhã para o cargo de ensino médio, tarde para os de ensino superior —, o que permite ao candidato de nível superior se inscrever em um cargo de médio em outro certame no mesmo dia, mas não em dois cargos deste edital no mesmo turno.

A banca é a FCC

O concurso é executado pela Fundação Carlos Chagas, uma das bancas de perfil mais estável entre as grandes: enunciados diretos, pouca pegadinha de redação e forte apego à literalidade da lei e às súmulas. Para os cargos jurídicos, isso costuma significar questões que cobram o texto do dispositivo e o entendimento sumulado, mais do que construções doutrinárias. Conhecer o estilo da banca vale tanto quanto conhecer o programa, e é o que os simulados no padrão dela permitem treinar com antecedência.